quarta-feira, 29 de maio de 2013

Especialista teme que vazão de estiagem do rio Claro, seja insuficiente

  
O projeto de transposição definitiva do rio Claro, para aumentar a oferta de água no município de Uberaba, tem causado polêmica. O engenheiro agrônomo, com mestrado em recursos hídricos, Renato Manzan, é taxativo ao falar sobre o assunto: “O meu voto é não. Sou contra a outorga.” Segundo ele, o rio Claro “não tem vazão suficiente para abastecer o município e ainda atender a demanda dos agricultores que utilizam daquela água para irrigar as suas lavouras”.



   Renato Manzan questionou o resultado do estudo técnico realizado pelo também engenheiro e especialista em hidrologia, Mário Cicareli Pinheiro,que indicou ocorrências de vazão de estiagem quase dez vezes superiores ao do rio Uberaba. “Gostaria de saber, exatamente, quais os pontos do rio Claro usados como referência para chegar a essa conclusão,” disse.
Sobre a vazão, no ponto de captação, Renato explicou que não há como afirmar a quantidade exata de litros por segundo, porque, no local, não há posto fluviométrico. Segundo ele, o estudo feito pelo Codau, que concluiu uma quantidade de 3.000 litros por segundo, baseou-se em dados coletados de posto fluviométrico a quilômetros de distância da captação. “Esses dados não podem servir de referência para o estudo”.
  Para ratificar, Renato citou resultados do balanço demanda/disponibilidade dos recursos hídricos realizados na bacia do rio Claro. “Estudos realizados por técnicos da Emater, Ruralminas e Universidade Federal de Uberlândia (UFU), indicaram que a calha do rio Claro e mais cinco afluentes (ribeirões Barro Preto, das Guaribas, Pomba e córregos Pouso Frio e Vertente Grande), apresentam balanço hídrico da outorga negativo, ou seja, a vazão outorgada é superior à disponibilidade hídrica. Na foz do rio Claro, a vazão  outorgada é superior à disponibilidade hídrica em 291%).” Os dados foram publicados na última revista “Informe Agropecuário”.
  De acordo com Renato Manzan, a água utilizada pelos agricultores ribeirinhos do rio Claro não se restrige apenas à irrigação. “Há também o consumo humano e animal. Será que o estudo levou em conta esses fatores?” questionou. Ele ainda fez uma insinuação: “Estão tentando convencer os agricultores de uma realidade que não existe. Para mim, essas informações induziram os agricultores a concordarem com a outorga,” acrescentou.
  A outorga solicitada para os dois grupos de usuários, Codau e agricultores, é de 4.550 litros por segundo, sendo 800 litros para o Codau e 3.750 litros para os agricultores. “O rio Claro tem muito mais água do que a cidade de Uberaba precisa,” afirma técnico contratado pelo município O Jornal Ambiental procurou o engenheiro Mário Cicareli, para falar sobre as declarações de Renato Manzan. De acordo com Mário, os dados da medição - coletados no posto fluviométrico instalado próximo à ponte Araxá - Uberlândia, na BR - 437, foram transferidos para o local onde é feita a captação da água. “O que nós fizemos foi a regionalização da vazão,” explicou. Mário também confirmou que a vazão de estiagem do rio Claro, no ponto de captação, chega, sim, no mínimo, a 3.000 litros por segundo. Quantidade superior à do rio Uberaba, que é de 700 litros por segundo, no mesmo período. “O rio Claro, tem muito mais água do que a quantidade que Uberaba precisa. Hoje só precisamos de 400 litros por segundo, ou seja, 25% do potencial de vazão que o rio Claro oferece.” Mário também fez uma estimativa: “Daqui a 10 anos Uberaba precisará, sem dúvida nenhuma, de 800 litros.” Sobre a situação dos ribeirinhos Mário esclareceu que a Associação dos Usuários das Águas do rio Claro (Auarc) está acompanhando os trabalhos e que o estudo técnico do Codau é público. “É aberto a quem queira tirar as dúvidas,” finalizou.
                                                                Mais de uma década 
  A transposição do rio Claro é projeto antigo. A primeira obra emergencial aconteceu em 200 quando houve, no município, uma seca atípica.
  Na ocasião, a captação foi feita no ribeirão São Pedro, afluente do rio Claro. Depois, as obras passaram a utilizar a água do rio Claro, transpostas para o ribeirão Saudade, o qual é afluente do rio Uberaba. “Em mais de uma década,pegando água do rio Claro, alguma providência já deveria ter sido tomada por parte das au-
toridades. Desmataram e poluíram o rio Uberaba, agora querem acabar com o rio Claro,” lamentou o especialista em recursos hídricos, Renato Manzan. Para ele, “se a transposição definitiva for realizada, haverá a ‘acomodação’ na execução de outros projetos alternativos na solução de armazenamento da água”.
                                  Viabilidade econômica
  A transposição do rio Claro, da bacia do rio Paranaíba, aparece, pela administração municipal, como uma das soluções mais viáveis e de menor custo para resolver o problema da escassez de água nos meses de seca, em Uberaba.
  Os recursos para as obras de captação no Rio Claro foram conseguidos pela administração passada. São 53 milhões de reais, sendo que 14 milhões estão em conta vinculada à Agência Nacional das Águas (ANA) e 8 milhões, no caixa da autarquia. Porém, não é uma solução definitiva. Segundo explicações do presidente do Codau, Luiz Guaritá Neto, publicadas em um jornal local, a tranquilidade no abastecimento de água de
Uberaba só virá com a construção de uma barragem grande ou de várias barragens menores, que possam armazenar a água captada. Os estudos sobre o assunto já começaram e não são nada animadores: os custos para a construção das barragens é algo em torno de R$30 milhões. Uma das sugestões que o Codau es-
tuda para o armazenamento de água é a criação de um lago artificial na Univerdecidade.
  Ainda de acordo com a publicação no jornal, a implantação de poços artesianos como alternativa para garantir água para os uberabenses nos próximos 20 anos, está totalmente descartada. Segundo Luiz Neto, o custo de um poço chega R$5 milhões e seriam necessários pelo menos 15 poços em Uberaba, a uma distância mínima de cinco quilômetros entre um e outro. Nesse sentido, “a captação no rio Claro fica mais econômica”.
  Para garantir a execução do projeto de captação de água no rio Claro, o Codau terá de correr, se quiser aproveitar os R$53 milhões que foram disponibilizados pelo governo federal para essa obra. Como o dinheiro foi liberado na gestão anterior, o prazo para licitação da obra termina em outubro. No entanto, Luiz Neto está otimista e acha que as licenças ambientais devem sair rapidamente, assim como a outorga.
  Viabilidade econômica e preservação ambiental
   Para o geógrafo e professor universitário Renato Muniz Barreto de Carvalho, no momento, a captação de água no rio Claro, complementando a do rio Uberaba, também é a solução que considera mais viável, sob vários aspectos. Segundo ele, são questões financeiras, de gasto com energia, de custo, e questões ambientais. Porém, ele explicou que, é preciso cuidar do rio Claro, com atenção e técnica, pois “esse manancial vem sofrendo com os agrotóxicos das lavouras situadas ao longo de seu curso, com a falta de mata ciliar e com a irrigação meio que ‘descontrolada’. Não podemos achar que ele, o rio, vai resolver em parte nosso problema de abastecimento Descuidar do seu ambiente, é um risco que não podemos correr,” avaliou.
Rio Grande A captação da água do rio Grande, como uma das soluções para o abastecimento no município, também chegou a ser discutida em Uberaba. Ideia que não agradou Renato Muniz. Para ele, o rio Grande não é, atualmente, confiável, pois recebe a poluição e o descarte de vários municípios ao longongo do seu curso até Uberaba. “São muitas indústrias, municípios que ainda não fazem o tratamento do esgoto, despejos industriais, resíduos de mineração que precisam ser tratados. Só isso já encareceria muito a captação,” disse. Outro aspecto relevante que Renato citou, refere-se ao gasto com a elevação e transporte da água do rio Grande até a área urbana. Segundo ele, o desnível é considerável e a distância também. “Talvez seja viável no futuro, agora não,” finalizou. Em relação ao Rio uberaba ele lembra que não se pode deixar de cuidar de suas margens e de fiscalizar as atividades localizadas ao  longo de seu curso.
  Em relação ao Rio Uberaba ele lembra que não se pode deixar de cuidar de suas margens e de fiscalizar as atividades localizadas ao longo de seu curso.

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